Alfabetização evolui devagar na rede pública após pandemia, dizem pais
Pelo menos 40% apontam lentidão e dificuldade na volta às aulas
Pelo menos 40% apontam lentidão e dificuldade na volta às aulas
Quatro em cada dez pais ou responsáveis consideram que o
avanço na alfabetização de estudantes das escolas públicas, no retorno às aulas
presenciais após a pandemia de covid-19, evoluiu de forma mais lenta do que
esperavam.
É o que mostra a pesquisa Educação na Perspectiva dos
Estudantes e suas Famílias, encomendada ao Datafolha pela Fundação Lemann, Itaú
Social e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com apoio da Rede
Conhecimento Social.
No levantamento, os pais ou responsáveis revelaram que as
crianças e os jovens em idade escolar estão avançando com
dificuldades (34%) ou não estão avançando no processo de alfabetização (6%).
Além disso, segundo os responsáveis, 10% dos estudantes de alfabetização estão
em nível muito abaixo do esperado em leitura e escrita e 11% em nível
inadequado.
A pesquisa foi feita em dezembro de 2022 e ouviu 1.323
responsáveis por 1.863 estudantes matriculados em escolas públicas, entre 6 e
18 anos, e foi feita para avaliar o primeiro ano de retorno presencial às aulas
após a pandemia de covid-19.
A apuração revelou ainda que oito em cada dez
entrevistados (78%) consideram que a educação deve ser a prioridade dos novos
governos, seguida pela saúde (66%) e pela segurança pública (21%). Para que a
educação seja priorizada, os entrevistados disseram que os novos governos devem
garantir maior oferta de formação de professores, ampliar o uso de tecnologias
nas escolas e promover programas de reforço e de recuperação a estudantes.
Outros dados apresentados mostraram que 66% dos
estudantes estão em escolas que fazem avaliações para conhecer as suas
dificuldades de aprendizagem e 50% deles tiveram oferta de reforço escolar, o
maior índice observado desde maio de 2021. O estudo também revelou que 44% dos
estudantes estudam em escolas que oferecem apoio psicológico.
Desigualdades regionais
O estudo evidenciou que há
grande desigualdade regional entre os estudantes da rede pública
no país. Por exemplo, entre os estudantes da Região Norte, o uso de tecnologias
foi apontado como necessidade maior (28%) do que entre os estudantes
das regiões Sul e Sudeste do país (18%).
As entrevistas revelaram que há desigualdades de renda:
nas escolas de menor nível socioeconômico, o número de estudantes com problemas
no processo de alfabetização chega a 50%, sendo que 14% deles não estariam
avançando no processo e 36% estão avançando, mas com dificuldades.
“A retomada das aulas presenciais nas redes de ensino foi um marco na vida de crianças e jovens em idade escolar, após o período mais crítico da pandemia. Agora é preciso ter um olhar atento e propor ações ágeis e eficientes para mitigar o alto índice de evasão escolar, a defasagem na aprendizagem e os desafios relacionados à saúde mental que atingem nossos estudantes. Importa ainda que isso seja feito em todo o território nacional, com ações estruturadas de forma conjunta, garantindo a equidade e qualidade, requisitos básicos para a efetivação do direito à educação”, disse Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, por meio de nota.
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